Quantas vezes você já escutou este ditado? O que muitos não sabem é que por trás dele existe uma estatística implacável: apenas 15% das empresas familiares sobrevivem à transição da segunda para a terceira geração. Diante disso, a pergunta que ecoa nas famílias empresárias é: como evitar que o patrimônio e o legado se diluam nessa mudança geracional?

Em seu livro “Os Segredos das Famílias Empreendedoras”, John Davis ressalta que, embora não se possa escolher a família onde se nasce, cada um tem plena autonomia sobre como se engajar com os parentes e o negócio. Em nossos processos de desenvolvimento na CFEG, enfatizamos que o autoconhecimento é o ponto de partida. Cada familiar deve ter como prioridade descobrir sua própria missão e buscar a excelência na carreira que escolher, seja ela dentro ou fora dos negócios da família.

É vital compreender que o afastamento da operação não isenta o indivíduo de sua responsabilidade. Aqueles que optam por não atuar como executivos, devem se desenvolver para assumir o papel de sócio. Ser um acionista exige compromisso com a estratégia e com a saúde do negócio no longo prazo, garantindo que o patrimônio seja gerido com maturidade e governança.

Para ilustrar essa dinâmica, recorremos a uma metáfora do futebol. Uma boa partida exige a sinergia entre três perfis de sócios:

  1. Sócios Apoiadores (Torcida): Aqueles que acompanham os temas críticos e oferecem o suporte necessário para que os gestores tomem decisões seguras.
  2. Sócios Ativos (Jogadores): Estão engajados, alinhados aos valores e contribuem diretamente para o processo decisório, jogando com foco no interesse coletivo.
  3. Sócios Empreendedores (Comissão Técnica e Capitães): São os que assumem riscos e lideram as apostas estratégicas.

Sobre este último grupo, John Davis destaca: para que o sucesso seja sustentável, ao menos um membro de cada geração precisa assumir este papel de empreendedor. É ele quem atua como o motor que renova o negócio, zela pela cultura e garante a criação de nova riqueza, impedindo que a família viva apenas da inércia do que foi construído no passado.

Para que esse time funcione, a preparação deve começar muito antes do apito inicial. É preciso treinar a base para que os sucessores estejam prontos para decidir e criar estratégias. Dois pontos são fundamentais nesse processo:

Preparação desde a infância

Essa preparação de base encontra seu terreno mais fértil ainda na infância. Educar sucessores não significa levar relatórios financeiros para o quarto das crianças, mas sim cultivar os valores que sustentam a família. Atividades e jogos que estimulem o senso de responsabilidade, a colaboração e o entendimento do valor do esforço ajudam a transformar o negócio da família em algo ao qual eles orgulhosamente pertencem. Através do lúdico, o membro familiar começa a compreender que o patrimônio é uma ferramenta de impacto e não apenas um privilégio.

Desenvolvimento individual e o fortalecimento do grupo

A perenidade não se sustenta apenas com talentos isolados. O grande desafio da próxima geração é o fortalecimento do grupo, utilizando as competências de cada um para uma tomada de decisão contributiva. Em nossos projetos, atuamos em duas vertentes: sessões individuais para trabalhar as competências e desejos de cada membro, e encontros coletivos que funcionam como o treino tático do time. Desenvolver o indivíduo garante que cada um seja um jogador de elite; desenvolver o grupo garante que eles saibam passar a bola e vencer o jogo juntos.


Autoras: Tiziana Acquaviva e Maria Eduarda Tucci